Sobre frustrações...

Juro, queria escrever coisas felizes hoje. Agradecer aos céus por tudo que há de bom. Mas to péssima. 
Sabe quando você acredita naquele 0,1% de chance? Assim fui eu... 
Eu acreditei que aprender a gostar, cuidar, querer sempre ajudar, pensar não só na sua felicidade mas na do outro também, contasse muito. 
Acreditei que quando nos abraçamos, trocamos beijos, dormimos juntos, estamos numa comunicação de almas. Acreditei que mesmo que o mundo fosse contra, ainda podia acontecer algo pra mudar tudo e fazer quem foi contra se surpreender...
Me joguei num precipício, corri o risco. E tudo que eu queria era que alguém segurasse minha mão e apertasse, não soltasse. Eu to meio cansada de soltar mãos e cair e ficar ali sozinha no chão até parar de sangrar... 
Eu queria hoje, não ter que colocar pra fora a tristeza de sentir que minhas mãos estão aos poucos sendo soltas. Queria muito poder sorrir. Mas cá entre nós, quem nunca chorou? 

Quase tudo que eu preciso te dizer...

Antes que você escolha ir embora, eu tenho que lhe contar, meu caro, que quero que você decida ficar. Decida lutar assim como eu luto todos os dias, decida ser cada dia melhor, assim como eu sempre creio que você pode ser. 
Nossa historia não é fácil. Não, não é. Mas quem começou isso tudo foi você, não desperdice a chance de fazer diferente do que todos pensam que você vai fazer, não negue que espera que seja diferente também. 
Olhe pra mim! Eu estou aqui. Mesmo tendo prometido pra mim mesma não querer mais ninguém, eu quis você. Eu quero você. Até quando eu aguentar, até quando minhas forças possam suportar. Não importa idade, passado, intrigas, inveja, praga, o caralho... Não importa. Quero falar, que se não te disse antes, estou dizendo agora. Sou nova, indefesa, carente, ciumenta, muitas vezes não sei como agir, muitas vezes me irrito, desespero, penso porcaria... Porra, eu não sou perfeita, mas essa sou eu, é quem você conquistou. Sei, relutei, não te atendia, não te respondia, tinha medo, tenho medo. Mas eu juntei todos os cacos quebrados do meu coração, colei como pude pra que ele ficasse inteirinho pra te receber. Talvez eu não tenha te contado, mas eu amo teu cheiro, amo teu beijo, teu jeito, teu toque, teus olhos quando estão colados nos meus. Amo as gargalhadas, seu jeito ativo e autoritário de fazer as coisas... Te admiro como pessoa, como homem e isso aconteça o que acontecer, não vai mudar. 
Se preciso dizer algo mais? Preciso. Bendita noite que te conheci... Bendita festa, bendito cheiro, toque, olhar... Bendita dança, bendito momento que eu quis dançar...

Comparação ridícula de relacionamento com shopping

Parei no meio da pracinha do shopping. Sentei num banco desolada. Aliás, o que eu fui fazer no shopping? Eu não tinha nem cabeça pra comprar nada! 
Sim, mais um embaraçoso relacionamento mal resolvido, mais uma cilada bem aplicada. E olha que eu jurei pra mim que ia parar com isso. Mas como boa e velha menina sonhadora, lá fui eu...
Uma festa. Uma dança. Um homem. Um pensamento. Um comentário bobo com as amigas...Depois um olhar, ligação, beijo, olhar de novo, mãos dadas... fodeu! Sim, isso mesmo. 
É difícil reconhecer que minha sensatez falhou de novo mas, eu assumo, falhou. 
Acontece que quando nos somos românticas, acreditamos que todo novo relacionamento é o certo. Talvez a gente diga ate sem pensar ou mesmo com a esperança de que realmente possa ser ''isso'' que você tanto esperava. 
E comigo foi assim. Já tive vários (todos) relacionamentos frustrados por minha causa. Isso mesmo, minha causa. Por criar expectativas, por querer que o outro sempre concordasse comigo, por ser extremamente dengosa e carente, por não saber ponderar coisas como ciumes, ''cobranças'', ate mesmo carinho. Tudo influiu... 
E eu fiquei ali, naquele banco, olhando as pessoas que passavam sozinhas, os casais... Fui deixando cair devagar minhas lagrimas, não pelo ''Bê'', mas por todas as minhas tentativas frustradas, todo sofrimento, toda a sensatez chagada quando você já tem feito a merda. Chorei, me permiti isso, naquela hora, naquele lugar e sozinha, por não aguentar mais. Até que eu fiz bem a linha ''sou-dura-na-queda-não-vou-me-apegar'', mas me apeguei, não sou dura na queda e precisava colocar a cabeça no lugar. Sou uma mulher feita, inteligente, sagaz e sim, por mais que não pareça, sensata. E não mereço, nem eu nem ninguém merece, estar em relacionamentos, sejam eles quais forem; estando tristes e insatisfeitos consigo e com o outro, criando expectativas as vezes ate inviáveis ou esperando a boa vontade do outro pra lhe fazer um bem quando você já faz muito. É ate ridículo falar isso, mas comparei relacionamentos a uma volta no shopping, se você for andar, se encantar, conhecer bem o lugar e não levar algo bom de lá, você chegará em casa de mãos abanando e frustrado. Bem isso com relacionamentos, você vai, se encanta, conhece,  cria expectativas e se não der, meu amigo, vai voltar pra casa de mãos abanando também, sem nada. Só com a sensação, da aquisição não feita, do amor não amado...

''Lição que a gente aprende quando está numa festa pensando na vida''.

Acordei as 11h da manhã. Isso já tinha virado rotina. Eu tava me sentindo presa dentro de casa, dentro de mim.
Olhei o Whatsapp, bingo! Mensagem da Kate. - Levanta dessa cama, moral! Temos uma festa na casa do Ted. Ted é um colega do coral que eu e Kate participamos. Eu o acho lindo. Sim, lindo! Ele é gordinho, alto, moreno, tem uma boca espetacular. Um charme. Mas nunca me enxergaria. Creio eu que não.
Decidida a ao menos observar o ambiente, tomar umas caipirinhas e fazer companhia a minha amiga, eu finalmente respondi: -Te encontro em uma hora.
Respirei fundo. Hoje eu vou sair! Eu estava disposta a esquecer meus pesados problemas por uma tarde de paz.
Ultimamente eu não estava me achando tão bonita. Me sentia um pouco mal. Acho que tristeza afeta ate nossa beleza. Mas, contudo, levantei da cama, tomei um bom banho relaxante, escolhi uma saia de oncinha, que deixava minhas pernas em destaque, uma blusinha preta (amo vestir preto), e uma plataforma discreta combinando com minha sainha sensual (mas que danadinha eu estava eim!). Arrumei os cabelos como pude e fiz uma maquiagem rápida. Batom vermelho. Essencial! Eu estava pronta e me olhando no espelho, francamente, por que eu estava me achando feia mesmo? Uau, mas que gordinha!
Encontrei com Kate no lugar marcado. Chegamos a festa. cumprimentamos a todos e Ted, ah, estava um gato! Enfim, eu estava me sentindo leve, melhor, em paz e sem importunos.
É diferente quando você tem a sensação de que não estava se amando quando ficava curtindo fossa em casa. Eu vi, logo ali, naquele lugar que eu precisava respirar. Do meu canto observei pessoas dançando, sorrindo, conversando sobre tudo. Vi outras se passando também, mas relevo.
Kate estava empolgada com seu surfista tímido e eu sozinha na mesa com minha caipirinha, pensando na vida. Porra, escolher uma festa pra pensar na vida era improvável e era isso o que eu estava fazendo. E sim, deu pra cair na real em muitas coisas. Lá naquele lugar, eu pensei em quanto é importante ter amigos, em quanto é legal se divertir e envés de ficar moendo em tristeza, percebi que todo mundo tem sonhos, planos e problemas e fundamentalmente percebi que se eu me considero bonita, quando me amo, as pessoas me notam sem que eu precise levantar uma placa dizendo: ''Estou aqui, me olhem!''. E principalmente, quando você curte sua própria companhia é mais exigente para escolher quem pode estar ao seu lado. Contudo, eu estava bem. Até que aparece diante de mim, quem? quem? Bob. Esse mesmo. Se eu tremi? Não, não tremi gente! Olha só!
Ele me cumprimentou, me olhou de cima a baixo, conversou umas besteiras e enfim, soltou o que eu no fundo já imaginava: - Docinho (era assim que ele me chamava quando estávamos juntos), o que acha de matar a saudade hoje? Faz tanto tempo... Você sabe. Está aqui sozinha, podemos aproveitar.
Ele podia ser mais ridículo?! Ex e suas peculiaridades. Fico eu me perguntando a que ponto eu deixei que nossa relação chegasse e não hesitei em colocar em pratica minha ''Lição que a gente aprende quando está numa festa pensando na vida''. O olhei dissimuladamente segurando minhas vontades de bater nele e de beija-lo (Ah, vamos lá, eu amava aquele imbecil),  finalmente disse: - Bob, querido. Eu demorei longos quase três anos pra aprender o que aprendi hoje. E sinto muito... Você sabe... Eu posso estar sozinha, porem estou muito feliz aqui comigo mesma. E sua companhia sinceramente, já não me faz tanta falta. Ah, e tem mais, conheci um cara. Amor próprio é o nome dele. Ele me da tudo que quero, me faz sentir uma mulher capaz e realizada, determinada e amada. E ainda me previne de ceder a canalhas que só querem se aproveitar do meu corpo com uma desculpa filha da puta de que gostam de mim.
Ele? Não falou nada. Saiu de perto de mim. Da minha vida. Assim espero. E eu? Fiquei cá entre nós muito feliz por colocar em pratica minhas reflexões tidas em festa. E por fim, Fui dançar, curtir e apreciar meu querido amor próprio, já tava na hora de dar uma chance pra ele né?! 

''Final'' feliz? Prefiro continuidades...

Estávamos eu e Mag, minha amiga, tomando o nosso bom e velho chopp de sexta feira e conversando sobre nossa complicada e cômica vida afetiva. 
Como escritora, tenho textos sobre o cotidiano em forma de bons contos. É minha terapia, esteja eu bem ou péssima. Escrever me acalma. 
Sobre isso, Mag me veio com uma pergunta inédita que me pôs intrigada. Disse o seguinte: - Ei maluquinha, está faltando um final feliz nos contos que tu escreves, certo? Dá um bom gole no chopp e me olha a espera de alguma reação minha. 
Eu dou um sorriso torto. Penso... Respondo: - Os contos que escrevo não são de fadas Mag, são reais. Eu e você sabemos que há uma galera que se dá bem no amor com louvor. Só que eu ainda não. Eu expresso minhas emoções em letras. Só isso. 
Ela sorri. Me conhece como a palma da mão, não só ela como minhas outras duas melhores amigas. Bastam me olhar e detectam meus pensamentos. Mag me entende. Sorri e me diz: - Amo o que tu escreves, não me importam os finais. Aliás, estou num nível de complicação com Phill que me sinto como se estivesse com uma dinamite chiando nas minhas mãos. Isso tudo podia ser tão menos complicado... Tenho medo que nosso final não seja feliz. 
- É disso que falo quando escrevo amiga, dessas complicações tão corriqueiras nos dias de hoje. Complicações essas, que vivi em toda a vida. Sempre me senti como se estivesse com uma bomba chiando nas mãos em absolutamente todos os meus relacionamentos. Escrevo sobre isso porque sei que não só nós duas passamos por isso bobinha, um monte de gente passa, sejam mulheres ou homens. 
- Eu sei. Responde Mag sem hesitar e rindo acrescenta: - Essa porra toda bem que podia ser mais simples, não só em teus textos mas, na vida. 
Penso, penso e digo: - Sim maluca, poderia sim. Inclusive depois que o babaca do Taylor (meu ex em questão) foi embora, veio em minha cabeça que sim, nós dois poderíamos ter escrito um ''final'' feliz pra nossa historia. Aceito que nem tudo é como pensamos que possa ser, tenho mesmo é que me conformar, beber com você e continuar a escrever. 
Mag solta uma gargalhada e diz: - Você e suas palavras de ''carinho'' para Taylor! Enfim, confesso amiga, tenho medo desse meu ''conto'' com Phill, Você sabe... Os finais que tive não foram nada felizes e hoje eu espero ter um. 
- Sei sim amiga, e pra bem dizer, eu não quero um  final feliz, como você diz. Eu espero escrever na minha vida e no meu blog, continuidades intensas. E sim, bem felizes de verdade... 

Sobre o problema ser eu.

Conheceu. Ligou. Conversou. Gostou do papo. Ligou de novo. Mandou mensagem. Recebeu mensagem. Sorriu. 
E aí é que ta a porra toda. Foi assim que aconteceu comigo e Bob, Comigo e Junior, Comigo e Taylor. E parei. Depois que eles te arrancam um sorriso, estão planejando maleficamente como tirar sua calcinha. 
Lembro bem de como foi com meus três queridos namorados. Me frustrei. Se o problema sou eu? Sim, o problema sou eu. Me entrego demais. Quando gosto, é de verdade. Faço tudo pra que a outra pessoa se sinta bem e feliz. Confesso, eu tenho lá meus momentos de estresse, como todo mundo tem. Uma vez quando namorava o Taylor, acabei quebrando o celular dele na parede. Loucura? Não! Ódio! 
Sempre fui uma boba romântica, sempre acreditei em lindas historias de amor, com lagrimas, sorrisos, olhos nos olhos, briguinhas por ciumes... Essas coisas. Também sempre tive meu lado mais pervertido e nesses romances que eu ainda acredito, tem que ter muita boa noite de sexo bem quente. 
Sempre quis viver essas lindas historias que eu imagino e nunca vivi. Volto a dizer, o problema sou eu. Namorei o Junior quando era mais nova, não tinha maturidade para agir em algumas situações, e o idiota terminou comigo no meio da rua num bloco de carnaval. O Taylor, aquele que eu quebrei o celular? Me traia, com homens e mulheres mais precisamente. Alguma coisa meu poder de observação tinha que fazer pra me ajudar e eu acabei descobrindo essa proeza. Eu já não era mais tão menina, notava que ele por vezes era distante e frio e por vezes agia como um príncipe, o que me fazia desconfiar. Eu era louca por ele e sofri, quando resolvi acabar. Bob? Meu ultimo namorado. Já se apaixonou? Agora multiplique por 5 o sentimento. Isso mesmo. Eu era totalmente arriada por ele. Tínhamos bom dialogo, bom sexo, bom companheirismo um com o outro... Isso tudo mudou quando Bob começou a fazer o bom e velho charme. Me atendia quando queria, saia a noite sozinho e mentia, tentava me culpar por erros que eram dele e não meus, não conversava mais como antes, não olhava mais pra mim... Resultado? Outra! 
Eles agiram como bons filhos da puta? Siiiiiiim! Mas ainda assim afirmo que o problema fui eu. 
Quando passei a permitir que eu fosse sempre submissa, quando abri meu coração e mostrei meu sentimento sincero pra quem nem valia tanto assim, quando perdoei os chifres várias vezes pra continuar em um relacionamento sem futuro, quando me permiti ir pra cama enquanto eu fazia amor e eles me usavam. Eu fui meu próprio problema quando passei a insistir em ligar, mandar sms, whatsapp, imo, sinal de fogo e o caralho; e não obter resposta alguma. Comprei briga comigo mesma pensando não ser boa o suficiente, quando, na verdade eu deveria rever tudo isso e me amar primeiro. 
Demorei  pra  repensar isso, e hoje, diante de tudo digo: O problema fui eu, que devia ter me amado e não me amei. Sorte que  percebi isso. E agora, não tem essa de joguinho não. Ou vai ou racha. Ou quer ou não quer. Repito todos os dias pra mim como um mantra: A vida é uma só. Leve a sério essa palavra, que lida ao contrario vira nome de rei ( Davi) e remexida te faz uma DIVA! 

Sobre Ouvir conselhos da minha avó...

- Tudo bem passarinho, deixa a vovó te dizer uma coisa: Construa seu ninho, mas não deixe que nenhum gavião se aproveite e destrua ele. Se quiser alguém em seu ninho, sempre prefira um joão-de-barro e em tudo, aja como águia. 
- Por que vovó? 
- Um dia, quando crescer, entenderá tudo que te digo tá?! 
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Eu cresci sem nunca esquecer o que vovó tinha me falado um dia. Ela sempre tinha uma parábola pra cada coisa que ia ensinar a todo mundo lá em casa. Por vezes eu ate entendia, mas essa; a que eu nunca esqueci não saia da minha cabeça assim como eu não conseguia entender completamente. 
Tudo bem, eu segui minha vida e vovó não voltou a falar sobre isso. 
Em domingo de sol, com toda a família em volta da piscina, vovó me notou no canto. Não tinha animo pra conversar com meus pais e meus tios e nem pra tomar a boa cerveja com meus primos. Eu estava quieta, fria, pensativa. Aí ela vem, senta-se ao meu lado e indaga:
- Ei, Passarinho, posso saber o motivo desses olhinhos perdidos? - Olhei pra ela tentando conter as lagrimas. 
- Ah, Vovó... Conheci um garoto. E ele é complicado. -  Ela toca em meu rosto e respira fundo soltando um sorriso de canto. 
- Filha, quão complicado? O que há de errado com ele? 
- Tudo. Nada. Não sei... Ele é lindo, carinhoso, gosta de livros como eu, ama musica assim como eu também. Mas as vezes é frio, distante, quieto. Some e reaparece. Me confunde vovó, e eu tenho medo de me envolver. As vezes quero procura-lo, outras quero deixar pra lá. Ah, você sabe... tenho medo de me arrepender. Medo de sofrer. - Vovó me puxa em seu colo e me olha serena.
- Lembra da história do ninho que eu te falei quando você era pequena? 
- Nunca esqueci. 
- Pois bem, o ninho que eu falei, era sua vida em si. E vi que está construído. Você é uma linda mulher e bem sucedida, integra. Agora basta você ser mais observadora, não só das suas atitudes, mas também a de pessoas a sua volta. A águia é imponente, observadora, certa de como manter seu ninho em perfeito estado. Seja assim também. Agora esse garoto pode ser o gavião ou o joão-de-barro, depende de como o vê e se lhe deu acesso ao seu ninho, quero dizer, ao seu coração. O gavião quer apenas a presa, bagunça todo o ninho e vai embora sem volta. O joão-de-barro por sua vez, constrói um ninho bem apertadinho pra proteger sua companhia e sempre que sai, não passa muito tempo e volta. 
O que quero dizer minha filha, é que garotos são assim, complicados mesmo. Requerem paciência, pulso firme, mas também carinho. Não hesite em procurar, conversar, atenda às ligações, ligue! Se permita viver tudo isso. A vida é uma só. Não espere que o tempo resolva as coisas sozinho. Vá, seja, faça. Se ele não for um garoto suficientemente bom para você, como boa águia, saberá! E aí passarinho, há solução: Pé na bunda! Sei que entende o que quero dizer. 
- Sim , eu entendo. Agora depois de tanto tempo entendo perfeitamente. 
Juro, tentarei ser como águia, tentarei viver. E minha praticidade resume tudo isso em: Garotos requerem paciência e caso ela esgote... Pé na bunda! Eu tenho mais o que viver! 

Menino dos olhos cor de encrenca.

Ele não era apenas mais um garoto. Eu sim continuava sendo aquela menina.
O conheci na época do colégio. Pra bem dizer, apenas sabia quem ele era. O via passar no corredor e sempre acabava examinando seus olhos. Verde, mel... Não sei. Pra mim seus olhos eram cor-de-qualquer-garota-se-encrencar. Descreviam melhor. 
Desde que conclui o colegial se passaram quase sete anos e eu nunca mais cheguei a vê-lo e nem saber como estava. 
Por acaso tudo isso mudou. Graças ao melhor e pior aplicativo de celular do mundo: whatsapp. 
Nos ''reconhecemos'' e começamos a conversar. Ele tinha virado um belo homem, que pra mim carinhosamente era garoto. Seu jeito de falar, seu modo simples e direto de se comunicar, sua voz, seus olhos, boca, mãos, expressão; tudo era peculiar, intenso, engraçado, bonito. Sem sequer nos tocarmos, ele passou a mexer comigo.  
Eu me pegava imaginando como seria encontra-lo, como seria tocar, olhar de perto, sentir o cheiro, ouvir a voz. Eu sonhava com ele. Em cada sonho, uma historia, muitos detalhes, muito desejo... 
Havia tempos em que eu não me sentia mais a menina que ele me fez sentir. Eu estava desprendida, disposta a querer viver algo diferente, disposta a mergulhar naqueles olhos de pura encrenca, disposta a ouvir ao pé
do meu ouvido, o som gostoso de sua voz me chamando de ''minha morena''. Sim, eu estava, mas ele? Eu não sei não. Virou mistério. Realmente desconheço. Silenciou. 
Se eu fico triste? Claro. O whatsapp é apenas um aplicativo, uma ponte, que deverasmente me ajudou e muito. Mas não é a travessia. Pontes precisam ser atravessadas, encontros precisam acontecer de verdade. E ainda estou certa de que o nosso seria muito bom de acontecer. Porque pra mim ele não era apenas mais um garoto, ele era a melhor encrenca que uma menina como eu poderia se meter. 

Era apenas um sonho, delicioso...

Era apenas um sonho. Porém, eu não desejava acordar dele. Sim baby, eu sonhei com nós dois. 
Estava uma noite agradável, um frio bom, a lua cheia era encantadora. Era uma festa à fantasia, num salão lindo de um resort a beira mar. Todos estavam devidamente vestidos em seus belos trajes. 
Eu optei pelo pratico, um vestidinho anos 60 preto de bolinhas delicadas brancas, lingerie vermelha combinado com minhas luvas de seda, meus sapatos de salto alto e meu batom. Pronto, estava divinamente  vestida com um pouco de frio, mas me sentindo confortavelmente bem. 
Entrei no salão sozinha para procurar minhas amigas que até então tinham sumido. De repente esbarro em você. Sinto um choque por todo meu corpo, que estremeceu mais ainda quando encontrou seus olhos. Sim era você! Como eu poderia te imaginar ali? Toda e qualquer explicação era inútil. Inclusive o fato de que você era o par da minha fantasia. Calça jeans apertada, camisa branca e jaqueta preta de couro. Simples, mas que te deixava extremamente sexy. Nos olhamos sem se tocar, nem sei por quanto tempo, nossos olhos bebiam um ao outro. 
De repente você vem, toma minha mão e me arrasta pra dançar. Era como se estivéssemos sozinhos no salão. Meu corpo e o seu se comunicavam de uma forma que nem sei como descrever, eu não queria mais te soltar, não queria sair dali, do teu abraço. Você parou e me tomou pela mão saindo do salão de festas apressadamente. Sem dizer uma palavra, sou levada para uma suite de cair o queixo! A vista da lua banhando o mar de luz era perfeita. Ali, naquele lugar tu me amavas . Uma conexão de mãos, olhos, bocas, corpos quentes, sentimentos contidos, almas. Você me adorava e me satisfazia em cada toque, eu estremecia, sentindo teu cheiro, tua vontade teu prazer, meu prazer.
Não tinha mais fantasias, eramos apenas nós, não tinha melhor festa, eram nossos corpos, uma cama quente, a lua, o mar, nosso desejo...
Sim era apenas um sonho, delicioso, quente. E confesso, dele eu não quera acordar... 
 
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