"E eu assumi minha frescura e o larguei falando sozinho. Se eu estivesse apaixonada, ia bolar milhares de motivos mirabolantes para lhe explicar meus motivos em não querer usar a luvinha. Ia entrar na lenga lenga insuportável de pedir desculpas por ser como sou, como se isso tivesse explicação ou desculpas ou salvação. Teria morrido, ou melhor, o matado, porque não suporto olhares de preguiça e reprovação. Teria perguntando, ainda que inconscientemente, o que fazer, naquele fim de tarde, para ser absolutamente perfeita. Me odiando e odiando ele por me sentir assim, uma imbecil. Mas não, apenas fui ver as fotos. Ele me achar fresca e uma barrinha de cereal sabor artificial de banana tem o mesmo poder sobre mim. Nenhum."

Tati Bernardi.

Gosto do modo carinhoso do inacabado,

do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno voo e cai sem graça no chão.



Clarice Lispector

Singular.


Não me conceituo como normal.
O normal às vezes é sem graça, monótono.
Eu não sou assim, sou um tanto singular.
Ok, eu sei que existem garotas como eu,
mas cada uma com algo que as faz únicas.
Ah, eu? Tenho lá minhas particularidades,
gosto de tudo que me fizer bem.
Não procuro agradar a ninguém senão a mim mesma.
Gosto de andar descalça, de usar um pijama velho, gosto de me sujar,
beber, rir alto, falar palavrão.
Também gosto do glamour que me traz um salto alto e um vestido que acentua minhas curvas.
Mas o simples, o simples me fascina....
Olhar o mar quieta, sentir o vento, cheiros, toques.
Toques de mãos, dos lábios...
Talvez seja isso, que nos torne distintas umas das outras.
É o que nos faz ser amadas ou odiadas.
Agora normal? Eu não ficaria feliz em ter esse conceito.



Quando vou ver você de novo?
Você partiu sem um adeus, nem uma única palavra foi dita
Nenhum beijo final para selar qualquer coisa
Eu não tinha ideia do estado em que estávamos

Eu sei que tenho um coração inconstante e amargurado
E o olho de um errante, e um peso na minha cabeça

Mas você não se lembra, não se lembra?
A razão pela qual você me amava antes,
Baby, por favor, lembre de mim mais uma vez.

Quando foi a última vez que você pensou em mim?
Ou você me apagou completamente de suas memórias?
Porque muitas vezes eu penso onde eu errei.
E quanto mais eu penso, menos eu sei.

Mas eu sei que tenho um coração inconstante e amargura
E um olhar errante, e um peso na minha cabeça.

Mas você não se lembra, não se lembra?
A razão pela qual você me amava antes,
Baby, por favor, lembre de mim mais uma vez.


Eu te dei o espaço para que você pudesse respirar,
Eu mantive minha distância, assim você iria ser livre,
Eu espero que você encontre a peça perdida
Para trazê-lo de volta para mim.

Por que você não se lembra, não se lembra?
A razão pela qual você me amava antes,
Baby, por favor, lembre de mim mais uma vez.
Quando vou ver você de novo?

Não me deixe escapar.


Ei, não me deixe escapar. Não permita que eu me solte dos seus braços rapaz, vá devagar, fazendo o que tem que ser feito. Você consegue, não duvide!
É só ir com calma, seja simples, mas seja verdadeiro. Eu te permito ficar, te permito me abraçar, mas não me solte.
E sabe como você vai me deixar perto? Fazendo as coisas mais bobas, como rir da minha chatice , brincar com meu cabelo, me sujar de chocolate, me derrubar na areia da praia... É, essas e outras coisinhas que a gente pode descobrir sabe? Essas coisas que fazem as pessoas serem melhores amigos, melhores namorados, sei la. Essas coisas que fazem as pessoas se unirem pra não deixar o outro escapar...
Eu chata? É, realmente eu sou chata. Eu brigo, implico, critico, dou puxões de orelha.
Eu morro de ciúmes e não faço ceninha, eu monto logo o filme.
Eu sou chata, porque me importo. No dia que eu não perturbar, pode ter certeza que eu não me importo mais.

Tem horas que a gente quer sossego, quer ficar quietinho num canto.

Quem sabe assistir um filme, comer um chocolate, pipoca, rir de bobagem.

Eu quero isso, mas com uma companhia. Que arrisque em fazer uma pipoca gostosa pra comermos juntos, que ria comigo das bobagens, que me dê atenção. Eu quero SMS de madrugada, quero ligações inesperadas no meio do dia, quero mãos entrelaçadas.

Tem horas que a gente deseja isso. E eu hoje desejo. Quero olhos nos olhos, quero arrepios só de pensar. Quero um sorriso espontâneo que vem do nada. Eu quero verdade, eu quero amor!

Por que eu escrevo? Porque é a minha vingança contra todas as palavras e sensações que morrem todos os dias mostrando pra gente que nada vale de nada.
 
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