Idealismo

Falas de amor, e eu ouço tudo e calo
O amor na Humanidade é uma mentira.
É. E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.

O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
É o amor do sibarita e da hetaíra,
De Messalina e de Sardanapalo?

Pois é mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado
- Alavanca desviada do seu fulcro -

E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!

[Augusto dos Anjos]

É. O mundo dá muitas voltas...


Tá vendo? Eu imaginava que um dia
aquele garoto ia voltar atrás em alguma
coisa e rever um pouco seus conceitos ( se bem que ele não mudou muita coisa).
Agora eu me pego as vezes rindo de toda a situação cara!
É engraçado ver uma criatura que praticamente jogou na sua cara (mesmo sem dizer),
que você não servia pra ele, precisando da sua ajuda.
Pois é querido, não vou te dizer que to jogando na cara não. Até porque não preciso
jogar nada na sua linda carinha, você não é mais criança, sabe bem o que faz.
Só falta criar um pouco de vergonha não acha?
Toma juízo meu filho, é o melhor que você faz.
E eu, continuo aqui pro que precisar viu? Já estava pronta pra ouvir muito
do que você me disse.
Prometo que não vou rir (só um pouco) de toda essa novela.
O mundo realmente dá muitas voltas. E você já deve saber bem onde chegar e me encontrar de novo. É comico viu!

CADÊ A TAMPA DA MINHA PANELA, O CHINELO DO MEU PÉ CANSADO, A METADE DA MINHA LARANJA?

”(…) E chega! Há anos peço o príncipe e só me mandam o cavalo.
(…)Dizem que materializar os sonhos escrevendo ajuda, então lá vai: quero transar com beijo na boca profundo, olhos nos olhos, eu te amo e muita sacanagem, quero cineminha com encosto de ombro cheiroso, casar de branco, ser carregada no colo, filhos, casinha no campo com cerquinha branca, cachorro e caseiro bacana. Quero ouvir Chet Baker numa noite chuvosa e ter de um lado um livrinho na cabeceira da cama e do outro o homem que amo.
(…)Que a gente brigue de ciúmes, porque ciúmes faz parte da paixão, e que faça as pazes rapidamente, porque paz faz parte
do amor. Quero ser lembrada em horários malucos, todos os horários, pra sempre. Quero ser criança, mulher, homem, et, megera, maluca e, ainda assim, olhada com total reconhecimento de território. Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura.
(…)E quando eu tiver tudo isso e uma menina boba e invejosa me olhar e pensar que “aquela instituição feliz não passa de uma união solitária de aparências” vou ter pena desse coração solitário que ainda não encontrou o verdadeiro amor.”


[Tati Bernardi]
Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não dá conta da vida, o maior criminoso, o mais fechado egoísta é sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta.

[Fernando Pessoa]
 
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