- Um dia, quando crescer, entenderá tudo que te digo tá?!
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Eu cresci sem nunca esquecer o que vovó tinha me falado um dia. Ela sempre tinha uma parábola pra cada coisa que ia ensinar a todo mundo lá em casa. Por vezes eu ate entendia, mas essa; a que eu nunca esqueci não saia da minha cabeça assim como eu não conseguia entender completamente.
Tudo bem, eu segui minha vida e vovó não voltou a falar sobre isso.
Em domingo de sol, com toda a família em volta da piscina, vovó me notou no canto. Não tinha animo pra conversar com meus pais e meus tios e nem pra tomar a boa cerveja com meus primos. Eu estava quieta, fria, pensativa. Aí ela vem, senta-se ao meu lado e indaga:
- Ei, Passarinho, posso saber o motivo desses olhinhos perdidos? - Olhei pra ela tentando conter as lagrimas.
- Ah, Vovó... Conheci um garoto. E ele é complicado. - Ela toca em meu rosto e respira fundo soltando um sorriso de canto.
- Filha, quão complicado? O que há de errado com ele?
- Tudo. Nada. Não sei... Ele é lindo, carinhoso, gosta de livros como eu, ama musica assim como eu também. Mas as vezes é frio, distante, quieto. Some e reaparece. Me confunde vovó, e eu tenho medo de me envolver. As vezes quero procura-lo, outras quero deixar pra lá. Ah, você sabe... tenho medo de me arrepender. Medo de sofrer. - Vovó me puxa em seu colo e me olha serena.
- Lembra da história do ninho que eu te falei quando você era pequena?
- Nunca esqueci.
- Pois bem, o ninho que eu falei, era sua vida em si. E vi que está construído. Você é uma linda mulher e bem sucedida, integra. Agora basta você ser mais observadora, não só das suas atitudes, mas também a de pessoas a sua volta. A águia é imponente, observadora, certa de como manter seu ninho em perfeito estado. Seja assim também. Agora esse garoto pode ser o gavião ou o joão-de-barro, depende de como o vê e se lhe deu acesso ao seu ninho, quero dizer, ao seu coração. O gavião quer apenas a presa, bagunça todo o ninho e vai embora sem volta. O joão-de-barro por sua vez, constrói um ninho bem apertadinho pra proteger sua companhia e sempre que sai, não passa muito tempo e volta.
O que quero dizer minha filha, é que garotos são assim, complicados mesmo. Requerem paciência, pulso firme, mas também carinho. Não hesite em procurar, conversar, atenda às ligações, ligue! Se permita viver tudo isso. A vida é uma só. Não espere que o tempo resolva as coisas sozinho. Vá, seja, faça. Se ele não for um garoto suficientemente bom para você, como boa águia, saberá! E aí passarinho, há solução: Pé na bunda! Sei que entende o que quero dizer.
- Sim , eu entendo. Agora depois de tanto tempo entendo perfeitamente.
Juro, tentarei ser como águia, tentarei viver. E minha praticidade resume tudo isso em: Garotos requerem paciência e caso ela esgote... Pé na bunda! Eu tenho mais o que viver!


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