''Lição que a gente aprende quando está numa festa pensando na vida''.

Acordei as 11h da manhã. Isso já tinha virado rotina. Eu tava me sentindo presa dentro de casa, dentro de mim.
Olhei o Whatsapp, bingo! Mensagem da Kate. - Levanta dessa cama, moral! Temos uma festa na casa do Ted. Ted é um colega do coral que eu e Kate participamos. Eu o acho lindo. Sim, lindo! Ele é gordinho, alto, moreno, tem uma boca espetacular. Um charme. Mas nunca me enxergaria. Creio eu que não.
Decidida a ao menos observar o ambiente, tomar umas caipirinhas e fazer companhia a minha amiga, eu finalmente respondi: -Te encontro em uma hora.
Respirei fundo. Hoje eu vou sair! Eu estava disposta a esquecer meus pesados problemas por uma tarde de paz.
Ultimamente eu não estava me achando tão bonita. Me sentia um pouco mal. Acho que tristeza afeta ate nossa beleza. Mas, contudo, levantei da cama, tomei um bom banho relaxante, escolhi uma saia de oncinha, que deixava minhas pernas em destaque, uma blusinha preta (amo vestir preto), e uma plataforma discreta combinando com minha sainha sensual (mas que danadinha eu estava eim!). Arrumei os cabelos como pude e fiz uma maquiagem rápida. Batom vermelho. Essencial! Eu estava pronta e me olhando no espelho, francamente, por que eu estava me achando feia mesmo? Uau, mas que gordinha!
Encontrei com Kate no lugar marcado. Chegamos a festa. cumprimentamos a todos e Ted, ah, estava um gato! Enfim, eu estava me sentindo leve, melhor, em paz e sem importunos.
É diferente quando você tem a sensação de que não estava se amando quando ficava curtindo fossa em casa. Eu vi, logo ali, naquele lugar que eu precisava respirar. Do meu canto observei pessoas dançando, sorrindo, conversando sobre tudo. Vi outras se passando também, mas relevo.
Kate estava empolgada com seu surfista tímido e eu sozinha na mesa com minha caipirinha, pensando na vida. Porra, escolher uma festa pra pensar na vida era improvável e era isso o que eu estava fazendo. E sim, deu pra cair na real em muitas coisas. Lá naquele lugar, eu pensei em quanto é importante ter amigos, em quanto é legal se divertir e envés de ficar moendo em tristeza, percebi que todo mundo tem sonhos, planos e problemas e fundamentalmente percebi que se eu me considero bonita, quando me amo, as pessoas me notam sem que eu precise levantar uma placa dizendo: ''Estou aqui, me olhem!''. E principalmente, quando você curte sua própria companhia é mais exigente para escolher quem pode estar ao seu lado. Contudo, eu estava bem. Até que aparece diante de mim, quem? quem? Bob. Esse mesmo. Se eu tremi? Não, não tremi gente! Olha só!
Ele me cumprimentou, me olhou de cima a baixo, conversou umas besteiras e enfim, soltou o que eu no fundo já imaginava: - Docinho (era assim que ele me chamava quando estávamos juntos), o que acha de matar a saudade hoje? Faz tanto tempo... Você sabe. Está aqui sozinha, podemos aproveitar.
Ele podia ser mais ridículo?! Ex e suas peculiaridades. Fico eu me perguntando a que ponto eu deixei que nossa relação chegasse e não hesitei em colocar em pratica minha ''Lição que a gente aprende quando está numa festa pensando na vida''. O olhei dissimuladamente segurando minhas vontades de bater nele e de beija-lo (Ah, vamos lá, eu amava aquele imbecil),  finalmente disse: - Bob, querido. Eu demorei longos quase três anos pra aprender o que aprendi hoje. E sinto muito... Você sabe... Eu posso estar sozinha, porem estou muito feliz aqui comigo mesma. E sua companhia sinceramente, já não me faz tanta falta. Ah, e tem mais, conheci um cara. Amor próprio é o nome dele. Ele me da tudo que quero, me faz sentir uma mulher capaz e realizada, determinada e amada. E ainda me previne de ceder a canalhas que só querem se aproveitar do meu corpo com uma desculpa filha da puta de que gostam de mim.
Ele? Não falou nada. Saiu de perto de mim. Da minha vida. Assim espero. E eu? Fiquei cá entre nós muito feliz por colocar em pratica minhas reflexões tidas em festa. E por fim, Fui dançar, curtir e apreciar meu querido amor próprio, já tava na hora de dar uma chance pra ele né?! 

''Final'' feliz? Prefiro continuidades...

Estávamos eu e Mag, minha amiga, tomando o nosso bom e velho chopp de sexta feira e conversando sobre nossa complicada e cômica vida afetiva. 
Como escritora, tenho textos sobre o cotidiano em forma de bons contos. É minha terapia, esteja eu bem ou péssima. Escrever me acalma. 
Sobre isso, Mag me veio com uma pergunta inédita que me pôs intrigada. Disse o seguinte: - Ei maluquinha, está faltando um final feliz nos contos que tu escreves, certo? Dá um bom gole no chopp e me olha a espera de alguma reação minha. 
Eu dou um sorriso torto. Penso... Respondo: - Os contos que escrevo não são de fadas Mag, são reais. Eu e você sabemos que há uma galera que se dá bem no amor com louvor. Só que eu ainda não. Eu expresso minhas emoções em letras. Só isso. 
Ela sorri. Me conhece como a palma da mão, não só ela como minhas outras duas melhores amigas. Bastam me olhar e detectam meus pensamentos. Mag me entende. Sorri e me diz: - Amo o que tu escreves, não me importam os finais. Aliás, estou num nível de complicação com Phill que me sinto como se estivesse com uma dinamite chiando nas minhas mãos. Isso tudo podia ser tão menos complicado... Tenho medo que nosso final não seja feliz. 
- É disso que falo quando escrevo amiga, dessas complicações tão corriqueiras nos dias de hoje. Complicações essas, que vivi em toda a vida. Sempre me senti como se estivesse com uma bomba chiando nas mãos em absolutamente todos os meus relacionamentos. Escrevo sobre isso porque sei que não só nós duas passamos por isso bobinha, um monte de gente passa, sejam mulheres ou homens. 
- Eu sei. Responde Mag sem hesitar e rindo acrescenta: - Essa porra toda bem que podia ser mais simples, não só em teus textos mas, na vida. 
Penso, penso e digo: - Sim maluca, poderia sim. Inclusive depois que o babaca do Taylor (meu ex em questão) foi embora, veio em minha cabeça que sim, nós dois poderíamos ter escrito um ''final'' feliz pra nossa historia. Aceito que nem tudo é como pensamos que possa ser, tenho mesmo é que me conformar, beber com você e continuar a escrever. 
Mag solta uma gargalhada e diz: - Você e suas palavras de ''carinho'' para Taylor! Enfim, confesso amiga, tenho medo desse meu ''conto'' com Phill, Você sabe... Os finais que tive não foram nada felizes e hoje eu espero ter um. 
- Sei sim amiga, e pra bem dizer, eu não quero um  final feliz, como você diz. Eu espero escrever na minha vida e no meu blog, continuidades intensas. E sim, bem felizes de verdade... 
 
Meu pensar. Blog Design by Ipietoon