Parei num banco do parque, fiquei observando as inúmeras flores ali, lindas, exalando seu perfume. Naquela hora eu vi um beija-flor... Suas asas eram de um azul escuro perfeito, voava por entre as flores e as beijava vagarosamente extraindo delas o seu néctar. Era demorado, como se fosse um beijo apaixonado de dois namorados.
Por um momento me atentei aquele fato, fechei os olhos e viajei. Comparei aquela simples cena a nós dois, comparei aquele lindo pássaro a você.
Me senti aquela flor entregue completamente ao toque. Pensei em quando estamos juntos. Teu olhar, sorriso, tua voz suave aos meus ouvidos, teu toque, teu beijo demorado atento, como um beija-flor. Quando abri os olhos vi o pássaro largando aquela florzinha, também muito lentamente, indo embora estacionar em outras flores. Aí então pensei: É uma comparação fantasiosa, porém justa.
Você assim como ele (o pássaro) foi feito pra voar solto e livre por ai. Você, assim como ele, pousa suave a faz apaixonar, toca suave, olha atento, fica um pouco, mas acaba saindo a voar, você sempre está indo e voltando, voando e pousando, mas nem sempre no mesmo lugar. Talvez eu seja essa flor perdida no jardim, que pra chegar a tamanha beleza passa por espinhos, que mantem a delicadeza mesmo quando as folhas, no outono, vão caindo devagarinho. Que se mantem imponente a espera do beija-flor e se permite beijar, mesmo sabendo que ele apenas pousou sem intenção de ficar.
E você? É, estou mesmo certa. Talvez você seja um beija-flor, meu amor....

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