Sim, ele era
encrenca, das boas.
Eu sabia o que estava
fazendo, ele também: estávamos fazendo uma coisa errada.
Gostei da luz,
dos olhos dele. Gostei que estava me encantando, gostei de não poder me
encantar e mesmo assim estar me encantando.
Apesar de todo
esforço, meu poder era uma ilusão. Apesar do desprendimento, eu me enganava o
tempo todo.
Nada de alegria,
alegria. Ele fecha a porta e volta para sua vida real. Para os dois, porque ele
não era egoísta: tristeza, tristeza.
Alegria, alegria.
Eu me implorava. E dá para sentir isso o tempo todo? Eu me cobrava tanto ser
feliz que às vezes perdia a noção de que já era. Fugir da felicidade ou fugir
com ela?
Num ímpeto de tesão, ou talvez após um trabalho de consciência
confusa que, por preguiça, acabava se decidindo impulsivamente, respondi ao
e-mail dele: sim, senhor. Vamos para onde o senhor quiser, a hora que desejar e
na posição que preferir.
Nem todas as histórias precisam ter virgens pálidas chorando às margens
de um mar de espumas. Nem tudo precisa ser romance tuberculoso. Alegria,
alegria.
A felicidade, assim como a bebedeira, vai e vem. A felicidade, assim
como o sexo, entra e sai. A felicidade, assim como ele, era impossível. Mas não
é pra tentar ser feliz que a gente vive?
Autor desconhecido.


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